Não sei muito bem como começar este texto, mas a minha alma pede para externalizar o que estou sentindo com palavras. Faz tempo que a nova Paula não senta para escrever aqui, se conectando com a energia de um texto que registra um momento tão delicado.

Talvez eu esteja sentindo a dor mais excruciante que já senti em toda a minha vida. Não se trata de fazer drama. Dor é algo difícil de explicar e mensurar, especialmente porque só quem a sente consegue entender sua extensão. Num primeiro momento o luto foi suprimido. Demorou mais de um mês para que eu conseguisse me conectar a ele. Quando a conexão veio, ainda assim ficou de escanteio. Inconscientemente eu sabia o que me aguardava e, por isso, atraí uma avalanche de trabalho que não me permitia pensar em mais nada. Mas a dor foi emergindo conforme os dias passavam e você não estava mais ali para falar de trivialidades, para compartilhar dores e conquistas, para trocar músicas. Às vezes o choro vinha completamente aleatório, mexendo uma panela no fogão, no meio de uma frase de impacto de um texto de negócios, falando ao telefone em uma reunião de trabalho. Simplesmente começou a vir sem que eu estivesse com o pensamento na situação ou em você. Rapidamente eu me recompunha – eu, que sempre fui a mais sensível do mundo tentando ser casca grossa. Tentei, mas foi uma tentativa inconsciente de fazer diferente, de ser forte, até que eu entendi que enquanto eu não abraçasse a minha fraqueza e deixasse a vulnerabilidade que esta situação me trouxe fosse vivenciada, eu não a superaria.

Deixei a dor vir com toda a sua força. Entrei em contato com ela e chorei, feito uma criança ramelenta e babona, embaixo da árvore mágica onde sempre conversei com o universo sobre você. Eu parecia estar sendo nocauteada e sentia a dor física dos meus músculos se contraindo, do meu pulmão gritando internamente para recuperar o ar. Minha irmã disse que eu tinha que me conformar, que aceitar os desígnios de Deus e do seu livre-arbítrio era necessário para que eu pudesse me limpar, me curar e seguir em frente. Naquele momento conformismo era a última capacidade emocional que eu poderia desenvolver. Eu só sentia a dor de, mais uma vez não ser a escolhida, de ser rejeitada e abandonada. A ferida que me acompanha desde a infância com o masculino pulsava latente dentro de mim e eu chorava, como uma criança ferida que está entrando em contato com a dor. Deixei a ferida arder, me rendi a ela.

As sensações intuitivas foram vindo nos próximos dias, tanto de onde errei quanto de onde você errou comigo. Hoje vivo com a premissa de que “oferecemos o melhor que temos com a consciência que temos naquele momento.” Emocionalmente e espiritualmente estou um pouco a frente de você, que sempre foi regido pela racionalidade e suprimiu seu emocional e espiritual. Eu te assusto com minhas conversas de maluco, eu sei, mas não me arrependo de nada que eu já lhe tinha dito. Me arrependo é de não ter dito tantas outras coisas que sentia necessárias. Nós dois fizemos o melhor que podíamos com a consciência que tínhamos, mas nos ferimos. Não sei se eu te feri, mas você me feriu muito e preciso falar sobre isso.

Enquanto todos aqueles que me amam sentem raiva de você por presenciarem a dor que me foi causada, eu sou incapaz de sentir qualquer coisa negativa em relação a você. Eu enxergo as suas limitações e as acolho. Se você é merecedor de um amor tão, tão puro eu não sei, mas é assim que é dentro de mim. Eu te perdoo porque sei das sua ignorância em alguns aspectos, porque sei das suas limitações e crenças interiores, das suas raízes sentimentais, da reminiscência que te assombra no inconsciente que você sequer sabe que existe. Já ouviu minha explicação, mas deve ter achado coisa de maluco. Eu te perdoo porque eu te amo e porque você trouxe cura e evolução para a minha vida, embora tenha trazido a maior das dores também. Talvez essa dor seja a grande transformadora da minha existência, a resposta para a minha libertação, evolução e plenitude.

Eu jamais torceria contra a sua felicidade e te desejaria coisas tacanhas e egoístas porque não é da minha natureza, em primeiro lugar. Quero que você consiga evoluir; que consiga olhar para os seus erros do passado e fazer diferente daqui para frente; que consiga ter a humildade de pedir perdão a quem você feriu. Eu não entendo por que você decidiu me procurar e se aproximou de tal forma se sabia que você já tinha escolhido um caminho a ser seguido e que nada mudaria a sua escolha. Você agiu com o maior egoísmo de todos sabendo que eu te amava do fundo da minha alma e que a sua postura iria me causar a maior dor de todas, pois você não me escolheria no final. Você já sabia de tudo isso e, ainda assim, fez tudo o que fez. Eu estava quieta, seguindo a minha vida com você em uma gaveta, mas você ressurgiu como um tsunami, mexendo em cada estrutura da minha existência e agora estou eu aqui, recolhendo os cacos que estão espalhados por aí. Você foi cruel, egoísta e desumano com alguém que não merecia isso. Que fique claro que não sou uma santa perfeita, não, mas eu não merecia essa crueldade, não. Disso eu sei.

Ainda assim, mesmo sabendo de tudo isso, mesmo tendo consciência da sua crueldade e do seu egoísmo, não consigo sentir raiva de você. Só consigo te acolher em pensamento, pedindo perdão pelos meus erros e dizendo que eu te perdoo – embora, neste momento, eu esteja praticando o perdão, pois ainda não consegui, de fato, liberar perdão para dor atual que você me causou, pelo o que estou sentindo.

Eu me escolhi e me afastei de você porque você não ia me escolher. Você ia me levar na barra da sua calça como um bichinho virtual, alimentado com migalhas, como você sempre fez e eu sempre permiti. O meu maior erro foi ter deixado você entrar novamente na minha vida. Eu fui fraca. Se eu tivesse dito para você fazer meia-volta e tchau no instante em que me contou sobre sua situação, eu teria me poupado de tudo isso porque aposto que você está pleno e mal se lembrando da minha existência e, muito menos, pensando na dor que me causou.

A minha imaturidade e falta de experiência para relacionamentos me coloca em várias ciladas, Bino. Essa foi a maior delas, mas tudo bem. Acho que precisava ser assim para que eu aprendesse que o meu amor e meu coração são preciosos demais para serem colocados em uma bandeja a troco de migalhas. Neste momento não consigo me imaginar perto de alguém, dando abertura, tentando viver algo novo. Eu me fechei a sete chaves e me lancei no fundo do mar para que ninguém me encontre. Preciso limpar e curar essa ferida. A rejeição e o abandono têm me assombrado todos os dias, mas com fé em Deus serei capaz de tratar tudo isso e sairei dessa situação mais forte, madura, racional e centrada.

Eu te amo tanto que tudo que eu desejo é que você se cure, que seja feliz e que consiga perdoar e pedir perdão. Espero que você se torne um homem mais nobre, um espírito mais elevado; que você abra seus canais para a conexão com o universo, pois Ele quer falar com você, mas você tem que permitir. Eu sei, a minha alma sabe, que isso vai acontecer e vai ser nesse novo tempo, nessa nova fase, que você retornará à minha vida. Eu espero que com um pedido de perdão que represente toda a evolução espiritual e emocional que você terá feito. Neste dia eu te direi todas as coisas que me feriram e também te pedirei perdão e, assim, conseguiremos fechar o ciclo de dor em que nos colocamos há tantas vidas. O ciclo está, ainda aberto e precisamos fechá-lo.

Por isso, por essa conversa, por esse encerramento de ciclo eu irei esperar. Dedicarei minhas orações a você, ao perdão, à sua evolução e à sua felicidade. Eu acredito em você e sei que você irá, de alguma forma, conseguir se conectar mais profundamente com o seu eu para acessar tudo aquilo que é necessário. Não suprima suas emoções, medos e sentimentos: vivencie-os, sinta-os e lide com aquilo que está no seu coração e que ultrapassa as esferas do seu mental.

O meu amor você sempre terá, de uma forma ou de outra. Em espírito estarei cuidando de você com minhas orações e vibrações, emanando cura e amor para que você possa viver em plenitude e harmonia.

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