Eu estava aqui, esses dias, matutando sobre essas questões de corpo. Já faz um tempo que venho comentando com vocês que estou em uma fase de baixa autoestima porque tô acima do “meu peso aceitável de gorda”. O que quero dizer com isso? Que eu engordei este ano e que estou com o peso ainda mais acima do que sempre estive e que a minha saúde não está legal. Claro que agora que mudei e me ajeitei vou correr atrás de cuidar de mim e de reverter esse quadro porque não, a gente não pode descuidar da saúde nunca. Mas quero falar de outra coisa.

Como estou nessa fase meio down, tenho feito aquele exercício de parar na frente do espelho e observar meu corpo. Eu gosto dele, sabe. Gosto que me acho proporcional, amo minha altura, mas é claro que vejo o que considero “defeito” gritar pra mim. Me incomoda meu ombro e minhas costas largas, minha falta de quadril, meu excesso de gordura na barriga, aquela absência da voltinha redonda na bunda que faz algumas mulheres terem um traseiro maravilhoso e a banha mole no meio da coxa que parece não endurecer nunca. Esses são os itens que me trazem mais insegurança.

corpo

Essas duas das fotos não são gordas pra mim não. São gostosas pra caramba e eu queria ter esse quadril da primeira e a bunda da segunda. Sonho!

Por escrever sobre o tema sempre faço muitas pesquisas de imagem por aí e vira e mexe me deparo com algumas gordas maravilhosas e penso: “nossa, se eu tivesse esse corpo, ia me achar uma puta gostosa”. E sabe o que reparei? Algumas delas são até, inclusive, mais gordas do que eu. O que faz, então, com que eu as observe nas fotos e deseje ter o corpo delas? Foi aí que a resposta veio: elas têm o que eu não tenho e nem nunca terei. Elas têm as costas mais finas, têm quadril, tem a bunda no formato de coração e muitas, apesar de serem gordas, não têm muita barriga porque a gordura fica mais localizada na região do quadril.

A gente aprende, desde criança, a sempre admirar no outro aquilo que não temos e não somos. É o tal do aspiracional.

Nem tudo é plantado na sua cabeça pela mídia. A gente já nasce com uma certa personalidade e nosso gosto estético vai se lapidando ao longo da vida. Quando eu não me aceitava e tinha problemas seríssimos de autoestima, eu não conseguir achar uma gorda sequer bonita – eu muito menos. Hoje o meu olhar mudou completamente e percebi que o que eu quero mesmo não é ser magra. Eu quero ter o meu jeito grandalhona de ser com um corpo mais definido pela malhação – tipo cintura, pernas, melhorar o braço – mas o que eu quero mesmo eu nunca vou ter: costas mais finas e quadril. Isso é osso, é estrutura e a minha é diferente da que eu acho linda e desejo.

Estou dizendo tudo isso pra vocês pelo seguinte: muitas vezes emagrecer não é a solução. Às vezes você quer coisas pra você que ainda nem percebeu. Talvez você até goste de você no peso em que está, mas adoraria ter a perna assim e o braço assado. A gente sempre mira no emagrecimento achando que ele vai ser a resposta pra nossa vida, mas nem sempre é e muitas vezes demora pra ficha cair e você passa a vida sofrendo por algo que nunca vai ser. Trata-se de aceitação, de olhar pra si mesma e valorizar o que você tem de melhor, saber lidar com as diferenças, se amar por inteira. Quer emagrecer e malhar, vai nessa, se joga, se esforça e faça por onde, mas não deposite a felicidade da sua vida em algo que só um milagre poderia dar jeito.

O que eu gostaria que vocês entendessem é que o corpo de cada pessoa tem um estilo e um formato e precisamos aprender a lidar com isso. Às vezes a resposta não está no emagrecimento e sim dentro de você. Eu sei, por exemplo, que eu posso emagrecer, perder barriga, endurecer a perna e tal, mas sempre irá me faltar quadril e aquela voltinha na bunda que eu sonho em ter justamente porque me falta quadril. E aí, vou morrer por isso? Não! Vou cuidar do que eu gosto em mim, vou exercitar meu amor próprio diante do espelho e espero que vocês façam o mesmo.

Demorei pra perceber que a resposta pra muita coisa não estava no simples ato de emagrecer e sim de aceitar que Deus me criou assim, que Ele me deu uma estrutura única e que eu devo ser grata por ela porque é este corpo que permite que eu viva e tenha experiências. Seja mais amorosa consigo mesma. Olha mais para dentro e descubra quais são os seus desejos mais profundos para que você possa trabalhar isso em você: do interior para o exterior. A vida é curta demais pra gente ficar se massacrando!

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