Texto especialmente feito para o Grandes Mulheres por Erika Elenbass, do blog Brigadeiro de Alface

Autoaceitação não é um termo fácil a ser pronunciado por quem está acima do peso ou insatisfeita com alguma parte do corpo. É algo que nos faz lembrar de acomodação, de estar de acordo, de estar conforme. No entanto, fica complicado achar uma aplicação para isso nas nossas vidas quando estamos em desacordo com aquilo que vemos no espelho.  Afinal, como é que podemos nos aceitar quando odiamos o nosso corpo?

Eu acreditava que autoaceitação era só para as belas. E com belas quero dizer as magras, altas, brancas, malhadas, de cabelos longos e ondulados e com um homem ao lado que as amasse – aquela beleza padrão que está introjetada em nosso subconsciente. Não, autoaceitação e amor-próprio não eram para mim, pelo menos não naquele momento. Eu precisava mudar algumas coisas para poder me amar. O plano era emagrecer e definir os músculos. De repente, daria até para fazer um relaxamento no cabelo e ir mantendo com chapinha no dia a dia. Eu também precisaria de salto, esmalte, maquiagem, acessórios, sorrisos e de um homem para chamar de meu.

O emagrecimento aconteceu. Foram 20 quilos eliminados com muito suor e fome. As horas na academia me renderam pernas dignas de alguém que se ama, mas eu ainda tinha a barriga, aquela bendita barriga que seria o próximo passo rumo à autoaceitação. O cabelo estava difícil de manter, e não havia nada que eu pudesse fazer para clarear a minha pele, mas o resto estava dando para ir levando. Os olhares masculinos na rua aumentaram e me motivaram a continuar seguindo em frente, malhando mais, comendo menos, sorrindo mais e tentando ser feliz. Eu estava chegando perto de me aceitar e de me amar. Eu estava me tornando alguém aceitável.

Quando eu menos esperava, no auge da minha “beleza” eu quebrei. Eu quebrei em pedaços tão pequenos que foi difícil encontrá-los para me refazer. Eu não me sentia bonita o suficiente, boa o suficiente, competente o suficiente ou magra o suficiente. Eu odiava as estrias, os seios meio flácidos do emagrecimento, as gorduras que teimavam em permanecer, os furos nas minhas coxas e aquele cabelo que não crescia. Eu quebrei. E comecei a ver defeitos onde eu jamais havia visto. Comecei a analisar as mulheres que passavam pela rua que eram mais cheinhas do que eu. Eu não conseguia mais sentar e respirar normalmente porque vivia constantemente com o abdômen contraído. Qualquer toque na minha barriga me incomodava e eu passava minutos do meu dia olhando os meus seios nus no espelho e reposicionando-os no lugar que eu achava que eles deveriam estar. Eu quebrei.

brigadeiro de alface

Quanto mais eu me esforçava para criar uma versão melhorada minha, mais eu via defeitos. Nem o fato de ter um homem que me amasse me ajudou a ter mais carinho ou respeito por mim. Toda a minha noção de autoaceitação estava se desmoronando e eu entrei num ciclo de busca constante por aprovação que legitimasse o meu amor-próprio.

E foi só assim, quebrando, que eu entendi que amor-próprio e autoaceitação não são efeitos colaterais de um corpo ou rosto bonito. Um não é consequência do outro e ninguém precisa se sentir a mais linda para se amar. Por mais que sejamos perfeitas, sempre teremos nossas inseguranças; não adianta, faz parte da natureza humana ser insegura e a arte da autoaceitação está em conviver com as nossas vulnerabilidades e honrá-las.

Quando tentamos melhorar primeiro para depois nos aceitar, estamos fadadas a viver infelizes para sempre sendo quem somos, já que a busca por melhora é um processo sem fim. Jamais chegará o dia em que estaremos satisfeitas com tudo na sua vida, mas eu espero que chegue o dia em que todas poderemos dizer que estamos bem sendo quem somos, mesmo que queiramos mudanças ou melhoras.

Foi pensando nisso, que eu comecei a imaginar como seria a vida se nos aceitássemos e nos amássemos realmente como somos. Eu comecei me perguntando:

E se nos amássemos incondicionalmente?
E se honrássemos o nosso corpo e a história que ele carrega?
E se o nosso sonho fosse maior do que o de apenas ser magra?
E se de gostássemos do que vemos no espelho?

 

Das minhas indagações, surgiu a ideia dos #100diasdeamorproprio (http://www.brigadeirodealface.com/100diasdeamorproprio) que eu lancei há pouco no blog Brigadeiro de Alface. A intenção é melhorar a autoestima e o amor-próprio dos envolvidos no projeto.

Para participar, basta postar diariamente durante 100 dias algo que você tenha vivido ou algo que você pretenda fazer para aumentar o seu amor-próprio. Pode ser uma foto, uma frase, um pensamento, um livro, uma quote ou um cenário, qualquer coisa que te faça lembrar o quando é importante se amar. Você pode postar isso no Instagram, no Facebook, Twitter ou Google+ com a hashtag #100diasdeamorproprio que a Paula e eu vamos acompanhando a sua jornada. O importante é que durante 100 dias você esteja consciente de que o amor-próprio é uma prioridade. Você pode começar este projeto quando quiser!

Está sendo muito gratificante ver mulheres manifestando-se sobre o amor que elas têm por elas mesmas e a cada dia fico mais encantada com as frases de incentivo que umas estão dando às outras. É um projeto que une todo e qualquer tipo de mulher, de fitness a plus size. Se você quiser saber mais do projeto, dá uma olhadinha lá no blog e vem com a gente.

A jornada da autoaceitação é um caminho sem volta que merece ser seguido. Aceitar-se é honrar quem você é e honrar a sua história independente da aceitação dos outros. Aceitar-se é dizer sim a si mesma antes que qualquer outro o faça. Tente se dar essa chance.

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