Estou eu navegando pelo Facebook hoje quando me deparo com uma postagem maravilhosa do BuzzFeed Brasil, que está mais abaixo. Parei para assistir ao vídeo, lógico, e ele foi de encontro com a postagem que fiz no último sábado na página do Grandes Mulheres no Facebook:

Meu post alcançou mais de 26 mil pessoas e teve uma interação bem bacana para uma tarde de sábado. Todo mundo basicamente concordou comigo que ainda não temos representatividade nas revistas. Quando colocam alguma modelo, é geralmente manequim 46/48 e com corpo ampulheta, ou seja, cintura fina, sem barriga, quadrilzão e coxas grossas. Entenda que existem muitas mulheres assim. É importante que essa galera também esteja nas revistas, mas ainda há muita resistência para colocar mulheres gordas nas páginas de moda. Os biotipos são muito diferentes e é justamente essa diversidade que não vemos.

Representatividade nas revistas de moda: o que falta?

Sei que as modelos de passarela que aparecem nos anúncios das revistas também não representam a maioria da população magra do nosso país. Ainda assim, essas mulheres conseguem encontrar todas aquelas roupas disponíveis e têm bons referenciais de como combinar. Tudo na moda está centralizado no biotipo magro. Hoje já há uma boa diversidade de corpos magros em matérias de revistas de moda, então fica mais fácil de entender, mas gordas? Não, não há.

Que há um grande preconceito no mundo da moda com pessoas gordas todo mundo sabe. Trabalho para esse mercado, então sei bem como as coisas funcionam, mas é debatendo sobre e cobrando posturas que mudanças podem começar a acontecer, certo? Graças aos blogs de moda plus size muitas mulheres hoje conseguiram desenvolver seu senso fashion. A importância da revista de moda, no entanto, é crucial. É quase que uma ostentação estar onde, há décadas, estão as modelos magras. Também somos consumidoras, também somos leitoras e mais de 50% da população brasileira está acima do peso. Ou as revistas mudam ou elas realmente irão sucumbir.

Representar pessoas gordas em revistas não é fazer apologia à obesidade. Todo mundo tem o direito de ser feliz e de viver com respeito. A roupa é uma parte importante da identidade de cada um e ajuda muito no processo de autoestima e aceitação. Mulheres ouviram por décadas que não poderiam usar isso ou aquilo porque deixava feio ou engordava. São as blogueiras gordas as principais responsáveis pela quebra desses tabus.

Falta informação nas revistas e sites das publicações de moda. Tem gente que ainda não conseguiu desenvolver o próprio estilo e se envolver com a moda, por isso, ainda se esconde em roupas que não têm nada a ver com sua personalidade, que não geram identificação. A revista tem um papel importante nesse sentido, pois transmite informação e pode gerar representatividade. Além de ajudar o público gordo em si, a ideia de ter mais pessoas e biotipos representados nesses veículos ajudaria na desconstrução e para a quebra de padrões de beleza e preconceito na sociedade como um todo.

Imagem de BuzzFeed

Mudanças na sociedade pedem renovação!

A cabeça das pessoas está mudando e tudo aquilo que não gera identificação começa a ser descartado. Você que segue meu blog e minhas redes sociais fica comigo porque o que produzo te interessa, mas se em algum momento não tiver mais relevância para você, eu serei esquecida. É assim que acontece com tudo na vida e com as revistas não será diferente. A maioria já está operando com mais força no online, pois os meios impressos estão perdendo cada vez mais espaço. Todo mundo quer informação fresca e rápida, então os meios de comunicação impressos tiveram que se moldar aos avanços tecnológicos e o mesmo terá que acontecer com a representatividade: cansamos de não ter espaço, de ficar no limbo, de sermos esquecidas.

É difícil vestir bem uma gorda que não tenha corpo violão? Não, não é. Hoje temos opções bem variadas de roupas e o mercado avança cada vez mais, tanto que a Vejinha deu capa falando sobre o segmento de moda plus size no último fim de semana. Isso significa algo bem relevante, não? A mudança só acontecerá se nos posicionarmos e começarmos a indagar as escolhas feitas pelas revistas. É preciso comentar nas redes sociais delas, pedir, ligar, escrever e dizer que queremos matérias assim e assado, queremos representatividade! Temos que fazer também a nossa parte.

O vídeo produzido pela equipe norte-americana do BuzzFeed faz cair por terra a teoria de que gordas não fotografam bem. Eles reproduziram anúncios publicitários da moda convencional com mulheres gordas dos mais diversos biotipos. É a prova viva de que quem quer faz e faz bem feito. O trabalho ficou lindo. Como dizer que gordas não ficam bem na foto? O que não cola mais são as desculpas que gorda não veste bem, não fotografa bem e não sabe fazer carão (coisa que até uma modelo “plus” que de gorda não tem nada falou tempos atrás e deixou muita gente, como eu, furiosa).

Acordem, gente. É tempo de mudança e nós queremos estar inseridas, então nos posicionemos para isso! Que dá certo a gente já sabe. Só falta gente competente e empática para querer fazer porque é muito possível.

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