Mas pavoroso mesmo é usar “fat suit”!

Minha mãe enviou um link interessante para que eu assistisse e pudesse escrever sobre: tratava-se da apresentação de um casal de dançarinos gordos, à primeira vista. Neil e Katy Jones são casados e competiram na categoria de dança Cha-cha-cha no concurso “Professional Latin World Show-dance”. Assim que dei o play já achei aquilo tudo muito estranho, pois não me pareciam gordos “reais”: os rostos dos dois eram extremamente finos, angulosos e a gordura estava esquisita. Veja o que você acha assistindo ao vídeo abaixo:

Mas qual o problema com esses dançarinos gordos?

A dança foi bonita e bem executada, embora eu não tenha gostado de algumas brincadeiras durante a performance. Tem um momento em que ela dá uma “bundada” nele, pois já que o traseiro dela é muito grande, fica difícil não esbarrar nele, certo? E também não gostei de quando dá uma pausa na música, eles estão deitados no chão e se passam por ofegantes. A razão de não ter gostado dessas ações é porque são caricaturas e estereótipos baratos de pessoas gordas. Não é engraçadinho, não é legal e foi especialmente nada bom porque o casal é magro e dançou usando enchimento, o que chamamos de “fat suit”.

Dançarinos gordos ou magros usando fat suit?

Tá bom pra você? ~ sendo irônica ~

Se você está familiar com o conceito de “blackface” (pessoas brancas se pintam com tinta negra para interpretar pessoas negras), saiba que eu acho aquilo abominável. O motivo de tanta gente rechaçar o blackface é absolutamente legítimo: por que não usar os próprios negros para se interpretar sendo que eles não são incapazes, podem e devem atuar? Essa prática era “comum” no século 19 em teatros norte-americanos. Com a conscientização, mais recentemente, se tornou uma atitude repudiada por se tratar de um ato racista, utilizado para evitar a participação dos negros nas artes. O que aconteceu, nesta dança, foi um pouco similar: magros se vestiram de gordos com o intuito de provar que eles podiam arrasar – gordos podem e arrasam muito dançando, inclusive veja esta matéria que a Flávia Durante fez falando sobre grupos de dança compostos por mulheres gordas que estão impactando gente em todo o mundo.

O problema do fat suit

Eu tenho fugido um pouco de problematizações, mas aqui vale problematizar, sim: quando pessoas magras se vestem de gordas para tentar provar um ponto elas só reforçam todo o estereótipo negativo que a sociedade já tem do gordo, assim como ocorre com o ato da blackface. Um casal real de dançarinos gordos é capaz de executar um número de dança com leveza, charme e graça. O que Neil e Katy fizeram foi dizer às pessoas que esse espetáculo só foi possível porque era enchimento, ou seja, o peso não era real. Seriam dois dançarinos gordos capazes de pular assim, executar determinadas acrobacias, pular no colo e o outro conseguir segurar – é o que quem assiste pensa! Ah, então está explicado: eles só conseguiram porque são magros disfarçados de gordos, como se gordos reais não conseguissem ter esse nível de performance, fôlego, leveza e movimento.

Pessoas gordas são capazes de ser leves, acredite! São capazes de dançar muito bem, com charme, graça, leveza, técnica e harmonia. O peso não é um impeditivo para dançar e diversos grupos de dança e dançarinos individuais têm provado isso, assim como a galera GG da yoga que mostra que a prática não é apenas para pessoas magras. O seu corpo é capaz de fazer tudo aquilo que você se dispuser a fazer, mas entenda que leva tempo, prática e persistência. Eu quis escrever este post para que você entenda isso e para que não compre essas ideias erradas de caricaturas de pessoas gordas. Antes de querer mudar os pensamentos da sociedade eu quero ajudar você a mudar seus pensamentos: eu já me achei incapaz de fazer muita coisa na vida por ser gorda, mas hoje sei que se eu quiser, praticar e persistir eu posso ser e fazer tudo o que eu quiser. Minha força está na minha mente e é ela quem capacita e faz o meu corpo entender que ele pode executar.

Capiche? Acho bem válida essa discussão! Vamos falar nos comentários?

Beijos!

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