Se você não é uma leitora assídua do blog talvez não tenha reparado, mas ando muito desanimada com tudo. Recentemente fiz uns desabafos no Facebook e no Instagram porque, além de tudo, eu me culpo por estar deixando vocês de lado. Não sei explicar muito bem o que está acontecendo e sei que é uma fase. No final do ano passado fui a uma endócrino que agora está cuidando de mim e a consulta durou quase três horas. Falei das minhas frustrações com a vida, de como o ano passado tinha sido emocionalmente muito carregado para mim e de como eu achava que o estresse todo que estava acumulado tinha me feito engordar quase 15 quilos em um ano. Chorei muito durante a consulta, muito mesmo. Eu sentia algo dentro de mim clamar por socorro. Ela prometeu me ajudar e me deu uma batelada de exames para fazer. Enquanto tudo isso acontecia, ela me receitou um antidepressivo porque, claramente, eu não estava “normal”.

Não comprei o remédio. Sou contra tomar medicamentos assim. Sou daquelas que só toma remédio se estiver morrendo mesmo porque acho que a gente já entope o corpo de tanta porcaria que sei lá. No fim do ano, semanas depois da consulta, fui viajar e achei que a viagem ia me recarregar, ia trazer meu ânimo de volta, mas aí tomei mais uma porrada gigantesca da vida na área que mais me dói e fiquei ainda mais desanimada, tentando entender o sentido de tudo, perdida, questionando Deus o tempo inteiro e sentindo um vazio imenso dentro de mim. Comprei o remédio hoje para amanhã começar a tomar. Talvez a minha química corporal esteja precisando de um equilíbrio que eu, neste momento, não consigo providenciar para mim mesma. Não é que eu fique chorando o dia inteiro ou triste ou sei lá o que gente pensa sobre quem está em depressão ou meio deprimido. Eu rio, faço piada, brinco, vejo meus poucos amigos quando dá, mas o negócio é interno. Eu me cobro demais a respeito de mil coisas e não ando tendo ânimo nenhum pra remar em direção ao que preciso fazer porque venho remando uma vida inteira e nunca chego em praia nenhuma. A sensação é de só remar, remar, remar e nada. E isso é com várias coisas, não pense que estou falando da minha “solteirice”.

Outra coisa que anda “pegando” pra mim é o sentimento de ingratidão. O país está em crise e graças a Deus a minha vida profissional está super produtiva. Apesar de descobrir que estou com alguns perrengues de saúde, não é nada perigoso ou realmente ruim, embora eu vá ter que mudar meu estilo de vida por conta desses detalhes. Tenho poucos e bons amigos, tenho leitoras fiéis e enfim… Tenho muita coisa boa, mas fico focando no que ainda não consegui ou no que me incomoda e aí me sinto uma pessoa super ingrata, mas ao mesmo tempo não consigo parar de me cobrar ou de querer que determinadas coisas fossem diferentes e esse é o problema do desânimo: quando você está assim, você até sabe o que tem que fazer, mas não consegue reagir porque já apanhou tanto, já nadou tanto que a sensação é de saber que, mais uma vez, você irá morrer na praia.

Eu não vou parar com o blog e esse desabafo – porque não vai ter nada de bom neste texto que sirva de inspiração pra você – é só pra colocar pra fora o que tenho sentido mesmo e pra você saber que às vezes é normal a gente desanimar, mas é nessas horas também que a gente precisa reagir, senão vira depressão mesmo. Não tenho nenhum plano efetivo, mas estou me cuidando mais em relação à alimentação, voltei a frequentar a academia e quero voltar a postar todos os dias, mesmo que às vezes o post não seja nada de surpreendente. Preciso criar uma nova rotina, preciso começar e insistir ou nada irá mudar e a tendência, nesses casos, é sempre piorar.

Aproveito, neste momento, para agradecer a vocês pelo apoio, carinho e mensagens positivas. Tem uma galera que me acompanha no Instagram que já está ciente desse meu desânimo porque tenho falado mais sobre isso lá e é sempre bom conversar e ouvir vocês, afinal estamos aqui para criar uma corrente de ajuda mútua, certo? Obrigada, obrigada.

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