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Sobre rótulos, corpos e felicidade

Vou juntar um tanto de coisa num post só porque todos os assuntos casam. Ao acordar vi que o queridíssimo Jeferson Monteiro, responsável pela Dilma Bolada, havia me mandado uma inbox com fotos de Robyn Lawley, uma modelo considerada plus size, em um ensaio fotográfico de biquíni. Ele pedia que eu dissertasse sobre o assunto. Minha amiga blogueira Ana Farias, do espetacular Trendy Twins, também havia me mostrado uma foto deste mesmo ensaio chocada com o fato da moça ser rotulada “plus size”. Antes de eu começar a dissertar sobre tudo o que quero falar, vamos ver as fotos do ensaio que a magnífica senhora presidenta me mandou:

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Esta é Robyn: uma mulher linda, com um corpo saudável e que recebe o rótulo de “plus size”. Ao ver as fotos, acho que a maioria das leitoras terá a mesma reação que eu tive: se ela é plus size, então eu sou o que? Não sei de onde vem essa necessidade de rotular tudo. Até entendo que, falando mercadologicamente, talvez para a indústria seja mais fácil criar coleções específicas para tamanhos maiores e batizá-las de plus size do que simplesmente não dizer nada. O que eu sonho é que um dia uma pessoa possa simplesmente entrar em uma loja e dizer: quero aquela roupa no tamanho X: seja ele 36, 42 ou 54. Existem poucas lojas trabalhando com o conceito de moda democrática e sem rotulações, mas creio que esta tendência consiga se ampliar nos próximos anos. Não vai ser do dia pra noite, mas acredito que essa transformação possa acontecer.

Voltando a falar de Robyn, olha…se eu tivesse o corpo dela, eu ia me achar a mulher mais linda, poderosa e gostosa do mundo. Sério. Acho doentio chamarem uma mulher saudável, com pouca gordura no corpo de “plus size” porque isso gera uma grande distorção na mente feminina e, convenhamos, há décadas e décadas nossa cabeça vem sofrendo lavagens cerebrais pela indústria da moda e da beleza porque nunca somos boas o suficiente. Sempre precisamos nos encaixar em um novo padrão estabelecido porque a máquina capitalista precisa girar. Minha amiga, mesmo que você emagreça, você ainda não será boa o suficiente porque ou o seu peito será grande ou pequeno demais, ou o seu cabelo estará da cor errada ou do jeito errado…enfim, eles sempre encontram algo pra te dizer que você não é boa o suficiente, por isso eu defendo sempre a ideia de que você tem que ser feliz com você e para você….sempre e acima de tudo!

Não contei isso antes porque já ando recebendo pitacos demais de gente que se acha íntima e vem falar da minha vida, mas antes que comecem a falar abobrinha daqui uns tempos, vou adiantar: estou sim fazendo uma dieta séria e já emagreci sete quilos. O que estou fazendo não convém e eu não vou ficar divulgando nada desse tipo. Eu estou tentando emagrecer por dois motivos: em primeiro lugar porque meu médico disse que ou eu emagrecia agora ou tinha 5 anos pra desenvolver diabetes – minha família tem alto índice da doença tanto do lado paterno quanto materno – e, depois que minha vó quase amputou o pé meses atrás e eu fiquei muito impactada, resolvi me mexer. A segunda razão é porque eu sempre contei aqui o quanto minha autoestima não é das melhores e sim, eu quero me sentir melhor diante do espelho.

Tudo o que eu escrevo pra vocês eu escrevo primeiro para mim. Eu fui massacrada por 27 anos e só comecei a me aceitar, a entender que eu não era apenas um corpo e que eu tinha valor depois de iniciar o trabalho no blog, mas ainda assim sou uma pessoa extremamente sequelada e cheia de feridas, por isso eu quero provar para mim mesma que eu consigo cuidar melhor de mim mesma. Não vou ficar magra: eu nem tenho estrutura pra isso. Serei eternamente gorda, mas agora eu quero ser uma gorda gostosa, mais firme, mais malhada e mais saudável. Não estou “traindo o movimento”, nem sendo uma fraude ou hipócrita ou nada disso. Já emagreci 7 kg e mal dá pra perceber. Tenho 1,79m e ossos muito largos, por isso minha gordura é bem distribuída. Eu só quero e vou dar uma “murchada de leve”, até porque sei que meu biotipo não comportaria uma Paula magra. Quero mesmo é me sentir gostosa e eu não vou conseguir chegar nem perto, por exemplo, de ter esse corpo da Robyn, por exemplo. Pra mim ela é magra. Meu conceito de magreza talvez seja diferente do de muita gente.

Muitas meninas me escrevem falando sobre essas questões de autoestima e perguntam se devem emagrecer ou se aceitar como são. Acho que tudo depende de como você se sente bem lá no fundo e do quão disposta você está a se dedicar: tanto para emagrecer quanto para se amar e desenvolver o amor próprio estando acima do peso requerem esforço e dedicação. Desenvolver uma boa autoestima quando não se encaixa dentro do padrão que a sociedade tem como certo não é nada fácil. A minha é bem abalável e há dias em que eu me sinto péssima, mas em outros me sinto incrível, linda e maravilhosa com todos os meus quilos a mais. Eu decidi emagrecer um pouco porque quero mais qualidade de vida e mais saúde, além de tentar ficar um pouco menos neurótica com a questão da aparência. Acho que eu sou tão sequelada de tudo o que já fizeram comigo no passado que eu nunca vou deixar de ser insegura e afetada por questões do meu físico.

Seja quem você quer ser, corra atrás do que vai te fazer feliz: seja aceitação, seja um corpo mais magro, mais malhado, seja mais amor próprio, mais autoestima ou o que for, você é a única pessoa responsável por poder fazer essa mudança. A vida é curta demais para perdermos tanto tempo nos martirizando, então decida o que você quer e comece a aplicar isso em sua vida. Eu nunca vou fazer apologia à obesidade ou à magreza e mesmo que eu emagreça um pouco mais – porque repito: eu sempre serei gorda – jamais deixarei de fazer o trabalho que venho fazendo há 4 anos neste blog. Tenho uma grande falta de amor próprio, uma autoestima em construção que não é das mais altas e sou extremamente insegura. Há leitoras que me acham um poço de confiança….isso porque elas não convivem comigo. Este fim de semana mesmo o rapaz com quem tenho um frufru me chamou de besta por ser tão encanada com as questões de corpo como sou. Ainda bem que ele entende que sou sequelada, mas é difícil pra mim não me sentir julgada e envergonhada quando já me fizeram passar por tudo o que passei.

Se você quer mudar a sua vida, mude, seja para o que for. Não coloque a responsabilidade da sua felicidade nos outros. Digo pra mim todos os dias que o que já fizeram comigo já está feito e eu não posso mudar, mas do presente em diante eu posso, por isso hoje eu não deixo mais ninguém me julgar pela minha aparência, sei do meu valor apesar de ter as minhas neuras e corro atrás do que eu quero. Nas feridas eu passo um remedinho todos os dias e pratico sempre o exercício do espelho porque eu tenho que me amar. Eu tenho que ter consciência do quanto eu sou foda pra caralho, perdoem a expressão, e do quanto eu sou uma pessoa excepcional cujo valor está no caráter e nas atitudes e não em um número de balança. Eu tenho que pensar isso de mim e você tem que pensar isso de você…é só assim que conseguiremos mudar algo em nossas vidas. Seja quem você quer ser, seja feliz. Abandone os rótulos, esqueça as convenções e faça apenas aquilo que o seu coração pede!

Por Paula Bastos

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Uma grande dose de constrangimento

Tudo começou no domingo. Um rapaz que conheci há não tanto tempo e com quem às vezes me engraço veio em minha casa para conhecer o meu cachorrinho. Ficamos jogando conversa fora e a TV estava ligada. Ele perguntou se poderia mudar o canal para colocar no Pânico na TV, pois era idiota e às vezes rendia algumas risadas. Eu concordei e deixamos a TV sintonizada enquanto conversávamos. De repente comecei a sentir um grande constrangimento e minha vontade foi sair da sala. Meu âmago foi tomado por lembranças da infância, da adolescência e eu me senti bem mal. Por quê, você deve estar se perguntando…

Existe um quadro da Nicole Bahls e do Christian Pior em que eles vão à praia e ficam medindo e tecendo comentários sobre os corpos das mulheres, alegando que a praia é cruel e não tem Photoshop. Bem, acho que vocês já conseguem imaginar o tipo de cena que é transmitida. Ou rechaçam quem não está em forma ou ficam exaltando as “gostosas”. Os closes são absurdos e completamente sem noção. A mulher vira um objeto sexual na tela da TV. De repente, vendo o quanto eles caçoavam das pessoas que não tinham uma aparência desejável, me lembrei de todo o bullying que sofri.

Estava eu ali, a gorda, sentada ao lado de um rapaz com quem às vezes me envolvo. Magro, bonito. Sabe aquela típica situação que se ele fosse meu namorado provavelmente as pessoas falariam pelas costas algo do tipo: “mas nossa, um rapaz magro, bonito com uma gorda?” Me senti constrangida porque foi como se a TV me expusesse de uma forma degradante. A sensação que eu tinha era que a TV gritava para ele: “olha essa menina do seu lado…ela não é bonita, ela é gorda, você não deveria estar aí…as pessoas caçoam do corpo dela” porque sim, é isso que eles fazem no quadro da praia.

Nos dias seguintes vieram as cenas da novela Amor à Vida que também me fizeram lembrar de situações em que senti esse mesmo constrangimento por ser gorda. Vocês acreditam que eu era tão ferida a ponto de achar que não conseguiria tirar carta por causa do meu peso? Hoje me pergunto: qual é a relação de uma coisa com a outra? De onde tirei essa ideia absurda?, mas é isso o que acontece quando você passa a vida sendo criticada, zoada e humilhada por gente que faz questão de enfiar o dedo na sua cara pra dizer de alguma forma que você não tem valor. Essa porcaria cria raiz e cresce dentro da gente.

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Vou comentar com vocês algumas das situações que mais me causam constrangimento e que realmente me fazem querer cavar um buraco e me esconder. Tenho certeza que várias de vocês também sofrem caladas com isso:

- Quando alguém pede para eu sentar no banco da frente do carro para não ficar muito apertado atrás;

- Quando tenho que sentar em uma cadeira de plástico que parece não aguentar nem uma pessoa de 50 kg;

- Quando alguém oferece 2 cadeiras de plástico pra empilhar uma na outra pra não correr o risco de quebrar;

- Quando a vendedora de uma loja me olha com falsidade ou me mede de cima embaixo já dizendo ou dando a entender com o olhar que nada lá me serve;

- Quando provo uma blusa que ficou apertada e não consigo tirá-la dentro do provador;

- Quando alguém fica medindo o meu prato e dizendo que eu não preciso ter vergonha de comer mais ou de repetir porque peguei muito pouco;

- Quando a catraca do ônibus é apertada e eu tenho que me esforçar pra passar;

- Quando vejo que um assento é estreito e que estou pegando um pedacinho do assento ao lado;

- Quando um cinto do brinquedo do parque de diversões não fecha;

- Quando o elevador está pesado e forma um degrau quando para e as pessoas começam a dizer que tem alguém ali que pesou demais e deveria ter ficado;

- Quando entro em uma loja e não encontro nada que me sirva;

- Quando, em uma entrevista de emprego, julgam mais a minha aparência do que a minha capacidade e inteligência;

- Quando vou à casa de alguém e fazem piadas sobre o sofá de dois lugares dizendo que cabem até 4 pessoas magras nele;

- Quando uma pessoa bem menor que eu insiste em dizer que aquela blusa dela me serve.

Talvez depois me venham outras situações em mente, mas todas essas que citei acima geram um grande constrangimento e chateação. Sim, já passei por todas elas e acredite: sofri com o julgamento alheio e me senti, inúmeras vezes, diminuída porque era quase como se eu fosse um incômodo para uma sociedade de pessoas “normais” onde eu era a aberração. Essas situações são delicadas e complicadas. Algumas a gente pode rebater, contornar e se impor, mas outras não são tão simples assim, como a da cadeira de plástico. O que fazer?

Percebi que depois que me aceitei e comecei a trabalhar com o blog e me assumi gorda, a relação das pessoas para comigo mudou. Hoje, mesmo que me ofereçam duas cadeiras, por exemplo, ninguém faz isso no intuito de me zoar, mas sim de impedir que de repente eu me machuque. É constrangedor? Sim, demais, mas ao menos a pessoa já sabe que sou gorda, que me assumo gorda e zoar meio que perde a graça, sabe? Hoje já consigo responder a algumas piadinhas de mau gosto, mas quando não respondo, penso que nem preciso disso porque hoje sei o meu valor, sei quem sou e fico com pena daquele ser inferior que claramente não evoluiu.

Embora esses episódios mexam com a gente no emocional e na vivência do dia a dia, a gente tem que aprender a superar. Sentir pena de si mesma ou querer que o mundo mude e você não é que não dá. Tá se sentindo mal e quer emagrecer? Você tem meu apoio. Quer ficar gorda e se assumir e ser feliz? Tem meu apoio (desde que esteja tudo bem com a sua saúde), mas se aceite mesmo, seja como for, e aprenda a contornar essas situações. Não dá pra se vitimizar: aprenda a lidar com seus medos e com o julgamento das pessoas. Elas não vivem a sua vida e não pagam as suas contas, então por que você se preocupa tanto?

O seu valor está no seu caráter, na forma como você vive sua vida, nos exemplos do seu dia a dia. Se você quebrar uma cadeira de plástico ou for convidada a se sentar no banco da frente do carro, não pense que isso faz de você um ser humano inferior. Você é quem tem as rédeas da sua vida, do seu corpo e da sua mente. Trabalhe isso dentro de você e não permita que os outros ditem como você deve se sentir. Cuide bem do seu corpo e da sua alma, pois é neles que você habita!

Por Paula Bastos

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O querer e o não poder ter

Eu estava aqui, esses dias, matutando sobre essas questões de corpo. Já faz um tempo que venho comentando com vocês que estou em uma fase de baixa autoestima porque tô acima do “meu peso aceitável de gorda”. O que quero dizer com isso? Que eu engordei este ano e que estou com o peso ainda mais acima do que sempre estive e que a minha saúde não está legal. Claro que agora que mudei e me ajeitei vou correr atrás de cuidar de mim e de reverter esse quadro porque não, a gente não pode descuidar da saúde nunca. Mas quero falar de outra coisa.

Como estou nessa fase meio down, tenho feito aquele exercício de parar na frente do espelho e observar meu corpo. Eu gosto dele, sabe. Gosto que me acho proporcional, amo minha altura, mas é claro que vejo o que considero “defeito” gritar pra mim. Me incomoda meu ombro e minhas costas largas, minha falta de quadril, meu excesso de gordura na barriga, aquela absência da voltinha redonda na bunda que faz algumas mulheres terem um traseiro maravilhoso e a banha mole no meio da coxa que parece não endurecer nunca. Esses são os itens que me trazem mais insegurança.

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Essas duas das fotos não são gordas pra mim não. São gostosas pra caramba e eu queria ter esse quadril da primeira e a bunda da segunda. Sonho!

Por escrever sobre o tema sempre faço muitas pesquisas de imagem por aí e vira e mexe me deparo com algumas gordas maravilhosas e penso: “nossa, se eu tivesse esse corpo, ia me achar uma puta gostosa”. E sabe o que reparei? Algumas delas são até, inclusive, mais gordas do que eu. O que faz, então, com que eu as observe nas fotos e deseje ter o corpo delas? Foi aí que a resposta veio: elas têm o que eu não tenho e nem nunca terei. Elas têm as costas mais finas, têm quadril, tem a bunda no formato de coração e muitas, apesar de serem gordas, não têm muita barriga porque a gordura fica mais localizada na região do quadril.

A gente aprende, desde criança, a sempre admirar no outro aquilo que não temos e não somos. É o tal do aspiracional.

Nem tudo é plantado na sua cabeça pela mídia. A gente já nasce com uma certa personalidade e nosso gosto estético vai se lapidando ao longo da vida. Quando eu não me aceitava e tinha problemas seríssimos de autoestima, eu não conseguir achar uma gorda sequer bonita – eu muito menos. Hoje o meu olhar mudou completamente e percebi que o que eu quero mesmo não é ser magra. Eu quero ter o meu jeito grandalhona de ser com um corpo mais definido pela malhação – tipo cintura, pernas, melhorar o braço – mas o que eu quero mesmo eu nunca vou ter: costas mais finas e quadril. Isso é osso, é estrutura e a minha é diferente da que eu acho linda e desejo.

Estou dizendo tudo isso pra vocês pelo seguinte: muitas vezes emagrecer não é a solução. Às vezes você quer coisas pra você que ainda nem percebeu. Talvez você até goste de você no peso em que está, mas adoraria ter a perna assim e o braço assado. A gente sempre mira no emagrecimento achando que ele vai ser a resposta pra nossa vida, mas nem sempre é e muitas vezes demora pra ficha cair e você passa a vida sofrendo por algo que nunca vai ser. Trata-se de aceitação, de olhar pra si mesma e valorizar o que você tem de melhor, saber lidar com as diferenças, se amar por inteira. Quer emagrecer e malhar, vai nessa, se joga, se esforça e faça por onde, mas não deposite a felicidade da sua vida em algo que só um milagre poderia dar jeito.

O que eu gostaria que vocês entendessem é que o corpo de cada pessoa tem um estilo e um formato e precisamos aprender a lidar com isso. Às vezes a resposta não está no emagrecimento e sim dentro de você. Eu sei, por exemplo, que eu posso emagrecer, perder barriga, endurecer a perna e tal, mas sempre irá me faltar quadril e aquela voltinha na bunda que eu sonho em ter justamente porque me falta quadril. E aí, vou morrer por isso? Não! Vou cuidar do que eu gosto em mim, vou exercitar meu amor próprio diante do espelho e espero que vocês façam o mesmo.

Demorei pra perceber que a resposta pra muita coisa não estava no simples ato de emagrecer e sim de aceitar que Deus me criou assim, que Ele me deu uma estrutura única e que eu devo ser grata por ela porque é este corpo que permite que eu viva e tenha experiências. Seja mais amorosa consigo mesma. Olha mais para dentro e descubra quais são os seus desejos mais profundos para que você possa trabalhar isso em você: do interior para o exterior. A vida é curta demais pra gente ficar se massacrando!

Por Paula Bastos

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Nem P, nem G

Acho que estou irritada. Aliás, estou muito irritada com os adjetivos. Pensamos, escrevemos e falamos os adjetivos ao léu. E isso incomoda, machuca.
Sempre, desde que sei que o mundo é mundo, as pessoas tentam me categorizar entre ser gorda ou ser magra. Confesso que eu mesma já me perguntei, de tantas indagações que fizeram. E por que preciso responder? Por que preciso, necessariamente, fazer parte ou do universo das magras ou das gordas? Por que não posso ser simplesmente eu, sem rótulos?
Às vezes cansa tentar se encaixar em alguma categoria. Não uso 36, 38, tampouco 46 pra cima. E agora?
Achar roupa não é super fácil, mas seria injusto dizer também que é difícil. Um dia inchada passo do 42 para o 44 – e aí, sou plus size? Dois dias comendo salada, pronto, já sou magra porque uso 40? Não!
Acho que as pessoas banalizam os adjetivos, sabe!? Gorda ou magra, feia ou bonita, inteligente ou burra fazem parte do nosso dia a dia, e carregam conotações que, muitas vezes, excluem uns dos outros. Todo mundo curte pensar em extremos e em condicionais. Se você é rico, não é pobre. Se não é bom, é mau. Tudo muito maquiavélico, e, chato!
A verdade é que as pessoas são muito mais que categorias, rótulos e classificações, será que é tão difícil ver isso? Seria tão mais fácil se todos usássemos pronomes, substantivos e verbos, e apenas eles.
Aliás, refaço minha linha de pensamento. O problema não está nos adjetivos, está no modo como empregamos. Acho que devemos reaprender a usá-los. Não sair por aí disparando. O fato de ser gorda ou magra, por si só, não é ruim. Mas o tom que está por trás das expressões impactam as pessoas que as recebem.
Hoje todos querem ser: ser lindos, ricos, sensuais, … mas esquecem de viver. É triste, principalmente, quando só preocupados em ser vivem a vida do outro. Pouco importaria se eu fosse gorda ou magra, se fulana fosse rica ou podre, se todos resolvessem viver a própria vida.
Posso só ser uma pessoa normal? Sem números, tamanhos e manequins? Sem palavras que possam me inserir em determinado grupo e excluir de outro? Obrigada!
Por colaborador

Comente!

“GORDA”

Por 27 anos uma palavra me apavorou: GORDA. Se alguém se referisse a mim dessa forma, era o fim do mundo. Nada na minha vida poderia me causar mais vergonha do que ser chamada de gorda, ou gordinha – no bom e velho eufemismo. O verbete me fazia querer virar fumaça, cavar um buraco embaixo da terra, ir correndo até a China. Eu não suportava.

Passei a vida sendo ofendida. Gorda virou sinônimo de coro em minha vida por muitos anos, principalmente na infância e na adolescência. Já na fase adulta, lidei menos com as ofensas, pois as pessoas são mais “discretas”: apenas pensam ou então, falam pelas costas. Mas saber que eu ainda era apontada como “a gorda” doeu por um tempo.

Hoje, aos 28, em um momento meio que incomum, percebi que na verdade me “aceitei” e me assumi. Quer mais aceitação do que ter um blog que trata do tema e postar, diariamente, nas suas redes sociais coisas que falem sobre o assunto e apontem que sim, eu sou gorda? Estive observando meu Twitter e meu Facebook e há muitos, muitos momentos em que falo abertamente sobre o assunto. Ora, todos que me seguem estão vendo que eu mesma estou ali, assumindo minha condição, abordando o assunto.

Quando parei para pensar nisso hoje, senti um alívio tão grande. A palavra nunca me definiu. Eu é que dei peso demais a ela. De que adianta não ser chamada de gorda, mas ter um corpo que não é magro? Ora, não é a mesma coisa? E se as pessoas estão me vendo e eu sou assim, é natural que a palavra se encaixe quando vão me definir e sinceramente, já não ligo mais para isso. A pessoa vai me ver, não vai? A quem eu queria enganar?

Hoje, é isso que eu sou. Este é o meu corpo e por mais que ele possa mudar, agora ele é assim. Estar gorda ou ser gorda não precisa ser um estado de espírito. Você não precisa querer viver de água e alface ou então querer comer junk food todo dia. Há diversas questões envolvidas, mas o que realmente importa é que uma condição física não define se você é melhor ou pior do que ninguém. É possível ter vida além da ditadura da beleza imposta pela mídia e pela sociedade, mas é você que tem que se libertar!

Será mesmo que meus quilos extras são tão repulsivos quando deixo transparecer a pessoa que realmente sou? Obviamente tenho meus defeitos e uma personalidade forte (engana-se quem pensa que sou pura meiguice, viu…), mas me orgulho de ser quem sou e não me trocaria por outra pessoa. Adoro meu coração, meu jeito bolachão de chorar com qualquer coisa, minha sensibilidade, minha enorme capacidade de perdoar, meus chiliques quando vejo Golden Retrievers, minha persistência e determinação e, acima de tudo, a vontade que tenho de contribuir para uma sociedade menos preconceituosa e mais justa. Defeitos, gente? Ahhh….bobagem pouca! (risos)

Se aceitar é diferente de ser uma pessoa segura e insegurança é um dos meus pontos fracos. Claro que às vezes penso que o peso pode me prejudicar – principalmente se o assunto for homem – mas como já disse aqui, tenho que me lembrar que ele nunca foi um problema e sim meu comportamento. A gente é muito mais neurótica com o lance de corpo por causa de outras mulheres. Homem não pensa como nós. Vou te dizer que a maioria me aperta com gosto – eu acho meio estranho, mas te garanto que a reação deles é de que estão gostando e muito!

Quando é que vamos aprender a fazer as pazes com o espelho e olharmos para o que realmente importa? Posso não ser a Gisele Bundchen, mas sou a Paula e devo me valorizar por isso. Que tal pararmos de ficar traçando metas irreais ou então, nos espelhando em pessoas que são uma em um milhão para fazermos o melhor que pudermos com aquilo que temos? Há uma vida inteira para aprendermos, melhorarmos. Sempre é dia de recomeçar. A sua vida é reescrita todos os dias quando você abre os olhos e inicia um novo dia.

No dia em que você morrer, “gorda” ou “magra” não serão palavras que irão te definir. As pessoas se lembrarão de quem você foi, do que você conquistou, de sua personalidade e seu coração. O seu corpo? Ele irá apodrecer, a terra irá comer e só restará o pó dos ossos, mas o seu legado? Esse sim, pode viver para sempre na memória e nos corações daqueles que te conheceram e que souberam enxergar tudo de bom que você deixou transparecer.

Pense nisso!

Um grande beijo e se quiser desabafar, estou aqui pra te ouvir! É só deixar um comentário!

“Aceitação é o primeiro passo para a beleza real”

Por Paula Bastos

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Stella Florence no Programa do Jô

Na semana passada, precisamente na quarta-feira (22 de junho), deparei-me com um rosto conhecido, ou melhor, um nome bem bem guardado na memória, na TV. Já ouviram falar de Stella Florence? Ao contrário do que o nome possa indicar, é uma escritora brasileira talentosíssima e com o humor muito refinado ; )

Ano passado, escrevemos um post sobre o livro Hoje Acordei Gorda, no qual Stella narra as (des) aventuras de gordos e pseudogordos nos engorda e emagrece da vida em deliciosas histórias do dia a dia. Rotinas que se confundem com nossas próprias vidas. Regimes loucos, ficar com a autoestima lá em cima ao olhar-se no espelho,…

E  é sobre o livro e seu último lançamento, Os Indecentes – crônicas sobre amor e sexo, que Stella fala na conversa descontraída com Jô Soares. A autora também relata suas próprias experiências como gorda e, agora, pseudogorda.

“Quando eu era criança, uma criança gorda, eu via seu programa na segunda-feira a noite e para mim era um momento muito importante. Era o único momento em que eu me sentia representada… Não era um coadjuvante, era o dono do programa (que era gordo (…)”

Para quem não viu, vale a pena conferir a participação de Stella no programa.

 

Por colaborador

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Onde você coloca o peso da sua felicidade?

“Raven Symone chegou a declarar que era feliz com suas curvas e suas gordurinhas, mas parece que seu discurso não era tão verdadeiro assim”. Esta frase, tirada de texto publicado hoje (02/05) no portal Terra, fala sobre o emagrecimento brusco da atriz norte-americana.

O emagrecimento “repentino” de Raven – e, quando falo repentino, me refiro ao sumiço estratégico para depois reaparecer bem magra, de forma quase irreconhecível – me impressionou tanto quanto o de Jennifer Hudson. Esta última alegou ter emagrecido para um papel. Será que é o mesmo caso de Raven? Isso é o que menos me interessa!

Se elas e muitas outras emagreceram por conta de saúde, de autoestima ou de um papel no cinema, não vem ao caso. O que me impressiona é que mais e mais mulheres gordas, principalmente as famosas, aos poucos vêm reaparecendo em suas novas estruturas corporais e desmentindo pensamentos e comportamentos que defendiam quando acima do peso.

Tempos atrás as brasileiras colocaram em xeque a postura da atriz Fabiana Karla, que sempre foi vista como uma espécie de porta-voz tupiniquim do mundo plus size por seu exemplo de aceitação e elevada autoestima. Nos Estados Unidos, terra da obesidade, mais e mais celebridades se rendem à ditadura da beleza e ressurgem das cinzas com seus novos corpos. Como disse, cada um tem suas razões e sabe onde aperta seu calo, mas o que quero discutir aqui é o posicionamento comportamental de cada um.

Eu, particularmente, nunca disse que era feliz sendo gorda e também nunca disse que seria realizada sendo magra, pois sei que minha felicidade vai muito além de um corpo. Vestir roupas X, Y e Z pode ser algo realmente legal, chamar atenção de mais homens também pode ser interessante, mas é nisso que você baseia sua vida? Você se resume a um cabelo, um seio, uma cintura ou um bumbum? Se sua resposta for sim, creio que é hora de pensar seriamente em que tipo de caráter e valores você tem, pois levar uma vida assim deve ser realmente frustrante em quase 100% do tempo. Quem coloca o peso da felicidade em cima da aparência viverá uma vida frustrada porque beleza não sustenta a vida de ninguém!

Sim, na sociedade atual, em que a cultura da aparência é supervalorizada, perde-se a essência, o caráter, os valores e todo um estímulo do que é viver. Pessoas passam seus anos de vida sendo escravas de algo inatingível, em busca de expectativas irreais que ferem ainda mais a própria autoestima e a de quem está perto. Ora, mas não é isso que acontece com essas celebridades? Quando são obesas e não conseguem emagrecer, defendem todo um discurso de que ser gorda é ok e de que é possível ser feliz, sim, mas depois sucumbem à própria imagem e destroem um modelo referencial que foi, por muito tempo, o alicerce de muitas mulheres que se vêem desamparadas pelo mundo da moda e do show business.

Qualquer mulher, independente de ser gorda ou magra, se espelha em um referencial de beleza e personalidade. Fico pensando se essas mulheres famosas têm a mínima noção de como suas antigas declarações de amor às formas curvilíneas geraram todo um apoio, um carinho e um conceito de aceitação para que depois, tudo fosse por água abaixo com um emagrecimento agressivo. Se você não está segura de si, se realmente não é feliz com seu corpo, não saia por ai dizendo que ser gordinha é ok e que você ama suas curvas. Isso é muito injusto. Ninguém tem que passar uma vida sendo gorda e muito menos levantando bandeira para a obesidade, mas palavras proferidas não têm volta. Portanto, antes de sair por ai dizendo algo que possa vir a mudar depois, tome muito cuidado.

Ninguém sabe o dia de amanhã e opiniões podem mudar, obviamente, mas essas celebridades “plus size”, ao passarem por emagrecimentos bruscos assim, só deixam cada vez mais claro que os discursos eram todos em vão, ferindo a autoestima de mulheres que não têm muitos referenciais. Vou me colocar como exemplo: sou gordinha e NUNCA disse que era super feliz sendo gorda. Eu tento, diariamente, ser feliz e me aceitar como sou; tento me lembrar de que não é um corpo que define minha personalidade e meu caráter, pois a beleza é completamente efêmera. Para muita gente, sou formadora de opinião e um exemplo, mas nunca levantei bandeira para a obesidade. Sou a favor da felicidade, da aceitação e do amor próprio e isso vai muito além de um corpo. Tenho amigas magras que sofrem tanto quanto eu sofro por ser gorda. Minha própria mãe sofreu quase uma vida inteira por causa disso.

O que espero que vocês entendam é que devemos tomar muito cuidado com nossas palavras e nosso posicionamento, pois sempre há alguém que se espelha em nós, ou que nos admira. Se você é gordinha e não se sente completamente feliz e gostaria de emagrecer, então seja sincera, seja honesta consigo mesma e com os outros e não levante uma bandeira falsa. O mundo já está cheio de hipocrisia. Você se propõe a contribuir com mais? Vamos pensar nisso, pois o discurso nosso de cada dia e nosso caráter têm muito valor. Saiba quem você é e levante bandeira para a felicidade!

 

Por Paula Bastos

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Gorda, gordinha, gordona

 

Jussara é uma moça jovem, bem clarinha, olhos verdes, sorriso largo e uma preocupação constante: perder peso. Vive obcecada pela perda de peso há aproximadamente três anos.

Não somos amigas, tão pouco a conheço muito bem, mas hoje pude conversar com ela por pouco mais de 30 minutos e escutá-la dizer por muito mais que 30 vezes o quanto precisava perder peso.

Contou-me que engordou 17 quilos em um mês e ao mesmo tempo foi tirando fotos e mais fotos da bolsa, mostrava-me aflita o quanto era magra aos 13, aos 18, aos 22 e aos 23  anos. E em seguida apontava-se e dizia : Mas agora olha isso!

Confesso que o sobrepeso de Jussara era visível, mas nada demais, já vi pessoas bem mais gordas que aquela moça e aquela ânsia pelo peso começou a me incomodar.

Falou que já fez milhões de dietas, já foi ao médico, já tomou remédios e nada adiantou. Esbravejou que o Centro de Saúde ainda não tinha liberado seus exames, pois na certa finalmente deviam ter encontrado a causa de seu aumento de peso.

Colocou a culpa na gestação e no mesmo instante desculpou-se: Todo mundo tem uma desculpa, né? Essa bem que podia ser, mas não é a minha. Meu filho, tadinho, é um anjo não me causou esse mal.

E eu ali, meio sem saber o que falar quando ela me perguntava: Estou muito gorda, preciso emagrecer, não acha?

Questionei se ela tinha algum problema de saúde e ela negou todos, nada de colesterol alterado, nem diabetes, nem alteração hormonal, ou hipertensão nadinha que justificasse a preocupação incessante com a perda de peso.

Justificou a incompreensão do peso atual com seu cardápio saudável diário, detalhado item a item e por fim culpou o marido por sua “desgraça”: Quando separei dele perdi muito peso, mas foi só voltar para ganhar tudo outra vez. Voltar com marido engorda. Você tem marido?

Nem me atrevi a responder e tentando auxiliá-la a entender a causa de seu ganho de peso sugeri que passasse em atendimento psicológico. Mas que falha a minha, no mesmo instante ela me lembrou de que o problema dela era o peso e não a cabeça: Psicóloga para quê? Meu problema é com nutricionista, mas nenhuma delas acertou até hoje. Você conhece alguma boa?

“Conheço várias”, pensei, inclusive uma de minhas melhores amigas, mas nem me atrevi a responder, pois definitivamente não poderia ajudar Jussara a perder seu excesso de peso. Não só pela minha falta de conhecimento específico no assunto, ou pelo excesso de compreensão com sua preocupação, mas principalmente pelo simples fato deste ser praticamente a única razão de sua vida neste momento.

Tirar de Jussara seu peso extra seria como tirar-lhe a vida. Só seria prudente tal ação depois de mostrar-lhe quantas coisas boas ela tem e que tornariam esta obsessão obsoleta.

Jussara é jovem, apesar do sobrepeso tem saúde, tem um filho lindo, tem um emprego, lindos olhos verdes e um sorriso contagiante, apesar de raro. Jussara poderia conquistar o mundo, mas para que isso ocorra, precisa antes de perder peso e ganhar autoestima.

Conheço muitas Jussaras e com certeza você conhece tantas outras, para esta marquei um atendimento de retorno para fortalecer o vínculo, ganhar sua confiança, mas para as outras gordinhas, gordas e gordonas resta a (falta de) atenção, desta sociedade que insiste em viver na era da revolução da beleza.

Para que perder peso quando se é feliz? Antes de perder peso e ganhar autoestima, creio que Jussara precisa reencontrar a felicidade, nos olhos do filho, no abraço do marido ou no apoio de tantas mulheres que não se sentem completamente perfeitas com seu corpo, mas que como eu, conseguem viver perfeitamente bem com uns quilinhos a mais, sem se importar com as modelos de revista e com as artistas globais.

Jussara não feche a boca, abra, mostre seu sorriso lindo. Não feche os ouvidos, abra-os, e escute os incentivos e bons conselhos. Não feche os olhos, abra-os diante do espelho e descubra a maravilhosa mulher que existe em você.

É isso, para o ouvido mais perto que é o meu e para todas as Jussaras desta vida…

*Taline Libanio é assistente social e colaboradora do Jornal Democrata, de São José do Rio Pardo. Mais textos de Taline no blog Idas e Vindas da Vida  

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