“GORDA”

Por 27 anos uma palavra me apavorou: GORDA. Se alguém se referisse a mim dessa forma, era o fim do mundo. Nada na minha vida poderia me causar mais vergonha do que ser chamada de gorda, ou gordinha – no bom e velho eufemismo. O verbete me fazia querer virar fumaça, cavar um buraco embaixo da terra, ir correndo até a China. Eu não suportava.

Passei a vida sendo ofendida. Gorda virou sinônimo de coro em minha vida por muitos anos, principalmente na infância e na adolescência. Já na fase adulta, lidei menos com as ofensas, pois as pessoas são mais “discretas”: apenas pensam ou então, falam pelas costas. Mas saber que eu ainda era apontada como “a gorda” doeu por um tempo.

Hoje, aos 28, em um momento meio que incomum, percebi que na verdade me “aceitei” e me assumi. Quer mais aceitação do que ter um blog que trata do tema e postar, diariamente, nas suas redes sociais coisas que falem sobre o assunto e apontem que sim, eu sou gorda? Estive observando meu Twitter e meu Facebook e há muitos, muitos momentos em que falo abertamente sobre o assunto. Ora, todos que me seguem estão vendo que eu mesma estou ali, assumindo minha condição, abordando o assunto.

Quando parei para pensar nisso hoje, senti um alívio tão grande. A palavra nunca me definiu. Eu é que dei peso demais a ela. De que adianta não ser chamada de gorda, mas ter um corpo que não é magro? Ora, não é a mesma coisa? E se as pessoas estão me vendo e eu sou assim, é natural que a palavra se encaixe quando vão me definir e sinceramente, já não ligo mais para isso. A pessoa vai me ver, não vai? A quem eu queria enganar?

Hoje, é isso que eu sou. Este é o meu corpo e por mais que ele possa mudar, agora ele é assim. Estar gorda ou ser gorda não precisa ser um estado de espírito. Você não precisa querer viver de água e alface ou então querer comer junk food todo dia. Há diversas questões envolvidas, mas o que realmente importa é que uma condição física não define se você é melhor ou pior do que ninguém. É possível ter vida além da ditadura da beleza imposta pela mídia e pela sociedade, mas é você que tem que se libertar!

Será mesmo que meus quilos extras são tão repulsivos quando deixo transparecer a pessoa que realmente sou? Obviamente tenho meus defeitos e uma personalidade forte (engana-se quem pensa que sou pura meiguice, viu…), mas me orgulho de ser quem sou e não me trocaria por outra pessoa. Adoro meu coração, meu jeito bolachão de chorar com qualquer coisa, minha sensibilidade, minha enorme capacidade de perdoar, meus chiliques quando vejo Golden Retrievers, minha persistência e determinação e, acima de tudo, a vontade que tenho de contribuir para uma sociedade menos preconceituosa e mais justa. Defeitos, gente? Ahhh….bobagem pouca! (risos)

Se aceitar é diferente de ser uma pessoa segura e insegurança é um dos meus pontos fracos. Claro que às vezes penso que o peso pode me prejudicar – principalmente se o assunto for homem – mas como já disse aqui, tenho que me lembrar que ele nunca foi um problema e sim meu comportamento. A gente é muito mais neurótica com o lance de corpo por causa de outras mulheres. Homem não pensa como nós. Vou te dizer que a maioria me aperta com gosto – eu acho meio estranho, mas te garanto que a reação deles é de que estão gostando e muito!

Quando é que vamos aprender a fazer as pazes com o espelho e olharmos para o que realmente importa? Posso não ser a Gisele Bundchen, mas sou a Paula e devo me valorizar por isso. Que tal pararmos de ficar traçando metas irreais ou então, nos espelhando em pessoas que são uma em um milhão para fazermos o melhor que pudermos com aquilo que temos? Há uma vida inteira para aprendermos, melhorarmos. Sempre é dia de recomeçar. A sua vida é reescrita todos os dias quando você abre os olhos e inicia um novo dia.

No dia em que você morrer, “gorda” ou “magra” não serão palavras que irão te definir. As pessoas se lembrarão de quem você foi, do que você conquistou, de sua personalidade e seu coração. O seu corpo? Ele irá apodrecer, a terra irá comer e só restará o pó dos ossos, mas o seu legado? Esse sim, pode viver para sempre na memória e nos corações daqueles que te conheceram e que souberam enxergar tudo de bom que você deixou transparecer.

Pense nisso!

Um grande beijo e se quiser desabafar, estou aqui pra te ouvir! É só deixar um comentário!

“Aceitação é o primeiro passo para a beleza real”

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